| Descripción |
A vida moderna impõe, cada vez mais, novos ritmos para todas as pessoas, principalmente ao indivíduo velho que está vivenciando esta nova fase. A presente investigação tem por objetivos apreender, compreender e analisar as representações que os velhos constroem sobre a velhice, sobre si mesmo, sobre o lugar e os significados da prática da atividade física, como exercício corporal. Ao darmos voz aos sujeitos, foi também de nosso interesse não só propiciar a saída do anonimato, trazendo à luz lembranças de pensamentos construídos no curso da vida, como também, no dia-a-dia no parque Pedra da Cebola. Interrompidos por momentos que falam de si e da presença da atividade física, quebram uma série de paradigmas nos quais a velhice é sinônimo de asilo, de repouso, de fragilidade e de inatividade, para representar, nos dias de hoje, movimento, corpo, vida sociocultural, investimentos pessoais, saúde, bem-estar físico e autonomia, enquanto guardiões de crenças, valores e comportamentos. Os resultados indicam que o temor da velhice, a perda da liberdade, a doença, a inatividade e a morte interligam-se a um outro modo de conceber a velhice e fazem com que os sujeitos separem os medos necessários à autopreservação, abrindo caminhos para a autoconfiança e à fé em si mesmos. Além disso, as representações dos velhos, ricas e heterogêneas, sobre o lugar, revelam que o Parque lhes transmite paz, silêncio e segurança para usufruir a atividade física, sem se compararem com os outros corpos perfeitos, delineados e ?sarados? que normalmente circulam em espaços como praias, academias e clubes, para expor o corpo como ele é: velho. O contraponto dessa representação está no fato de que cada um, ao mesmo tempo em que confirma a importância desse espaço para o movimento do corpo e da vida, se nega a ser simplesmente um corpo envelhecido a mais, buscando driblar outras alternativas nesse mundo que se forma, por meio de diversos mecanismos estéticos, dietéticos e reparadores, mantendo assim sua individualidade e a própria identidade desse patrimônio chamado ?corpo?, com suas passagens, suas mensagens, marcas e cicatrizes, mas que, paralelamente, cada pessoa deve buscar a estética que existe dentro de si |