Atualmente um amplo processo de mobilização social contra a violência, nas famílias, tornou-se urgente. O serviço de saúde é um espaço privilegiado para se atuar sobre o campo da violência doméstica e são encontradas inúmeras dificuldades em lidar com o fenômeno por parte dos profissionais da área. Nesse sentido, acreditamos que a falta de uma compreensão mais ampla sobre o contexto familiar é uma das dificuldades que está relacionada à falta de conhecimento sobre o assunto. A investigação, aqui apresentada, buscou conhecer e analisar a compreensão de família para pais e filhos envolvidos no episódio da Violência Doméstica contra crianças e adolescentes institucionalizados no Centro de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vitimizado (CACAV). A metodologia adotada é de abordagem qualitativa e utilizamos como instrumento de coleta de dados a entrevista semi-estruturada aplicada aos pais e às crianças que foram vitimizadas, totalizando seis famílias. Quanto à análise desses dados, escolhemos a análise de conteúdo, modalidade temática, proposta por Bardin (1979). O referencial teórico que subsidiou nossa análise de dados foi o modelo centrado na visão do contexto ecológico do desenvolvimento humano proposto por Urie Bronfenbrenner. Identificamos, a partir das falas dos entrevistados, duas temáticas: contexto familiar e violência. Em relação à primeira temática, apreendeu-se que a visão dos pais sobre família é diferente da visão das crianças e adolescentes vitimizados, uma vez que a ótica dos pais favorece a compreensão da família como nuclear dentro de uma perspectiva que ainda permanece cultural e socialmente estabelecida pela sociedade. Já as crianças apontam que o vínculo de amor e afeição são mais significativos que laços consangüíneos, tal fato pode estar relacionado à vitimização, considerando que a violência doméstica contribui para o enfraquecimento do sentimento de família. Em relação à segunda temática, evidenciamos que o fato da criança e do adolescente testemunharem ou vivenciarem a violência doméstica tenderá a reproduzir, por sua vez, relacionamentos violentos em seu cotidiano, fazendo com que seja perpetuada a cadeia desse tipo de violência. Acreditamos que tais perspectivas apresentadas neste estudo, dentro de um contexto de significados, refletem a realidade pela qual passa a família, facilitando, assim, a prevenção desses eventos. Dessa forma, é importante considerar que a partir do conhecimento da dinâmica familiar e da forma como a violência é experienciada pelas suas vítimas e agressores é que podemos pensar em uma estratégia de intervenção capaz de romper o ciclo perverso das relações familiares violentas.
Atualmente um amplo processo de mobilização social contra a violência, nas famílias, tornou-se urgente. O serviço de saúde é um espaço privilegiado para se atuar sobre o campo da violência doméstica e são encontradas inúmeras dificuldades em lidar com o fenômeno por parte dos profissionais da área. Nesse sentido, acreditamos que a falta de uma compreensão mais ampla sobre o contexto familiar é uma das dificuldades que está relacionada à falta de conhecimento sobre o assunto. A investigação, aqui apresentada, buscou conhecer e analisar a compreensão de família para pais e filhos envolvidos no episódio da Violência Doméstica contra crianças e adolescentes institucionalizados no Centro de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vitimizado (CACAV). A metodologia adotada é de abordagem qualitativa e utilizamos como instrumento de coleta de dados a entrevista semi-estruturada aplicada aos pais e às crianças que foram vitimizadas, totalizando seis famílias. Quanto à análise desses dados, escolhemos a análise de conteúdo, modalidade temática, proposta por Bardin (1979). O referencial teórico que subsidiou nossa análise de dados foi o modelo centrado na visão do contexto ecológico do desenvolvimento humano proposto por Urie Bronfenbrenner. Identificamos, a partir das falas dos entrevistados, duas temáticas: contexto familiar e violência. Em relação à primeira temática, apreendeu-se que a visão dos pais sobre família é diferente da visão das crianças e adolescentes vitimizados, uma vez que a ótica dos pais favorece a compreensão da família como nuclear dentro de uma perspectiva que ainda permanece cultural e socialmente estabelecida pela sociedade. Já as crianças apontam que o vínculo de amor e afeição são mais significativos que laços consangüíneos, tal fato pode estar relacionado à vitimização, considerando que a violência doméstica contribui para o enfraquecimento do sentimento de família. Em relação à segunda temática, evidenciamos que o fato da criança e do adolescente testemunharem ou vivenciarem a violência doméstica tenderá a reproduzir, por sua vez, relacionamentos violentos em seu cotidiano, fazendo com que seja perpetuada a cadeia desse tipo de violência. Acreditamos que tais perspectivas apresentadas neste estudo, dentro de um contexto de significados, refletem a realidade pela qual passa a família, facilitando, assim, a prevenção desses eventos. Dessa forma, é importante considerar que a partir do conhecimento da dinâmica familiar e da forma como a violência é experienciada pelas suas vítimas e agressores é que podemos pensar em uma estratégia de intervenção capaz de romper o ciclo perverso das relações familiares violentas.