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Depósito de Au, Pd e Pt associado a granito, Mina Buraco do Ouro, Cavalcanti, Goiás : caracterização e modelo da mineralização
Jacqueline Menez Machado
Location: http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3306

A região nordeste de Goiás apresenta diversas ocorrências, garimpos e minasde ouro, documentadas desde a primeira metade do século XVIII, ainda no períodocolonial. O minério localiza-se, principalmente, no domínio antes considerado comopertencente ao Complexo Granito-Gnáissico. Atualmente, sabe-se que esse domínio éformado por um amplo conjunto de granitos paleoproterozóicos que se distribuem nonordeste de Goiás e compõem a Suíte Aurumina. Tais granitos são peraluminosos, sintectônicose do tipo-S e possuem idades em torno de 2,15 Ga. Além de ouro emCavalcante e Aurumina, a Suíte Aurumina hospeda estanho e tântalo na região deMonte Alegre de Goiás e urânio na região de Campos Belos (GO) e Arraias (TO).A mina Buraco do Ouro, na cidade de Cavalcante, é explotada de formaintermitente desde 1740. Está localizada numa zona de cisalhamento E-W, nasproximidades do contato entre o biotita-muscovita granito da Suíte Aurumina e suarocha encaixante, pertencente à Formação Ticunzal, a qual é composta por xistos eparagnaisses grafitosos. A zona de cisalhamento, que possui zonas silicificadas,sericitizadas e com alteração hidrotermal, foi gerada quase que concomitantemente àsintrusões graníticas e desenvolve uma faixa de milonitos sobre o biotita-muscovitagranito. O minério de Cavalcante ocorre nas proximidades do contato entre a SuíteAurumina e a Formação Ticunzal. As rochas hospedeiras do minério são extremamentesilicosas e micáceas, denominadas de muscovita-quartzo milonito, e foramdesenvolvidas sobre o biotita-muscovita granito da Suíte Aurumina. A concentração deouro e prata nos veios de quartzo atinge teores médios de 14 g/t e 8 g/t, respectivamente.A mina Buraco do Ouro é conhecida pela associação entre ouro e minerais deElementos do Grupo da Platina (EGP), em que os EGP apresentam concentraçõesanômalas, que não são observadas nas demais ocorrências associadas à Suíte Aurumina.Os teores de Pt e Pd na mineralização aurífera de Cavalcante alcançam dezenas de ppm,entretanto, até agora, os platinóides nunca foram explotados como subproduto do ouro.O minério aurífero de Cavalcante está relacionado com os seguintes mineraismetálicos, em ordem de abundância: guanajuatita (Bi2Se3), ouro nativo, kalungaíta(PdAsSe), estibiopaladinita (Pd5Sb2), uraninita (UO2), padmaíta (PdBiSe), sperrylita(PtAs2), bohdanowiczita (AgBiSe2) e claustalita (PbSe). A presença de calcopirita, pirita, magnetita e hematita é rara, embora existam alguns bolsões de magnetita nasproximidades dos corpos de minério. Em geral, o ouro ocorre em grãos isolados, mastambém se associa aos minerais metálicos. O intercrescimento simplectítico entrecalcopirita, estibiopaladinita e guanajuatita, calcopirita e estibiopaladinita e ouro ekalungaíta é uma textura característica do minério e pode ser usado para o entendimentoda gênese da mineralização.O minério da mina Buraco do Ouro, bem como as demais mineralizaçõesauríferas da região de Cavalcante, situa-se sempre próximo ao contato entre a SuíteAurumina e a Formação Ticunzal. No caso da mina, as condições de óxido-redução nosistema exerceram papel importante na gênese e localização do minério de Au-EGP.Com base nas variações da fO2, três estágios podem ser sugeridos para a formação dominério. O primeiro estágio ocorreu sob baixas condições de fO2, o que permitiu aprecipitação de sperrylita, estibiopaladinita e ouro. No segundo estágio, provavelmenteo mais importante para a concentração de EGP, o aumento da fO2 ocasionou aprecipitação dos selenetos guanajuatita, kalungaíta, padmaíta e claustalita. No fim desseestágio, houve formação de magnetita e uraninita. No terceiro estágio, houve umaredução na fO2 após a deposição dos óxidos e ocorreu o reequilíbrio das assembléiasformadas no segundo estágio, a formação de fases ricas em Se e a geração deintercrescimento entre calcopirita, estibiopaladinita e guanajuatita.Pode ser presumido que a fonte dos EGP são xistos e paragnaisses daFormação Ticunzal. É provável que porções da bacia, onde se deu a deposição dessaformação, propiciaram o ambiente necessário para a geração de folhelhos negros, quesão rochas argilosas e carbonosas, que podem ser originalmente enriquecidas em EGP.Possivelmente a mobilização desses elementos, para a gênese do minério, ocorreu viafluidos aquosos e pouco salinos.A mina Buraco do Ouro possui algumas características importantes dedepósitos de ouro do tipo intrusion-related como o ambiente compressional, aassociação regional com depósitos de Sn, o baixo conteúdo de sulfetos no minério e aíntima associação do minério com o plúton granítico. Entretanto, existem algumasdiferenças: (1) têm relação com magmatismo peraluminoso do tipo-S; (2), possuemassociação metálica com Au-Pt-Pd-Se±Pb±Ag; e (3) não apresentam forte zonação.Mesmo com estas diferenças, o modelo genético proposto para o depósito Buraco doOuro é do tipo relacionado à intrusão. Contudo, trata-se de um depósito do tipointrusion-related com forte influência das rochas encaixantes na geração do minérioA associação Au-EGP hospedada em zona de cisalhamento desenvolvida sobrebiotita-muscovita granito, sem assinatura geoquímica de rochas ultramáficas, constituiuma associação não convencional de platinóides.

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Depósito de Au, Pd e Pt associado a granito, Mina Buraco do Ouro, Cavalcanti, Goiás : caracterização e modelo da mineralização
Id. 35215565
Idioma PT
Titulo Depósito de Au, Pd e Pt associado a granito, Mina Buraco do Ouro, Cavalcanti, Goiás : caracterização e modelo da mineralização
Autor(es) Jacqueline Menez Machado
Location http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3306
Versión 1.0
Estado Final
Descripción A região nordeste de Goiás apresenta diversas ocorrências, garimpos e minasde ouro, documentadas desde a primeira metade do século XVIII, ainda no períodocolonial. O minério localiza-se, principalmente, no domínio antes considerado comopertencente ao Complexo Granito-Gnáissico. Atualmente, sabe-se que esse domínio éformado por um amplo conjunto de granitos paleoproterozóicos que se distribuem nonordeste de Goiás e compõem a Suíte Aurumina. Tais granitos são peraluminosos, sintectônicose do tipo-S e possuem idades em torno de 2,15 Ga. Além de ouro emCavalcante e Aurumina, a Suíte Aurumina hospeda estanho e tântalo na região deMonte Alegre de Goiás e urânio na região de Campos Belos (GO) e Arraias (TO).A mina Buraco do Ouro, na cidade de Cavalcante, é explotada de formaintermitente desde 1740. Está localizada numa zona de cisalhamento E-W, nasproximidades do contato entre o biotita-muscovita granito da Suíte Aurumina e suarocha encaixante, pertencente à Formação Ticunzal, a qual é composta por xistos eparagnaisses grafitosos. A zona de cisalhamento, que possui zonas silicificadas,sericitizadas e com alteração hidrotermal, foi gerada quase que concomitantemente àsintrusões graníticas e desenvolve uma faixa de milonitos sobre o biotita-muscovitagranito. O minério de Cavalcante ocorre nas proximidades do contato entre a SuíteAurumina e a Formação Ticunzal. As rochas hospedeiras do minério são extremamentesilicosas e micáceas, denominadas de muscovita-quartzo milonito, e foramdesenvolvidas sobre o biotita-muscovita granito da Suíte Aurumina. A concentração deouro e prata nos veios de quartzo atinge teores médios de 14 g/t e 8 g/t, respectivamente.A mina Buraco do Ouro é conhecida pela associação entre ouro e minerais deElementos do Grupo da Platina (EGP), em que os EGP apresentam concentraçõesanômalas, que não são observadas nas demais ocorrências associadas à Suíte Aurumina.Os teores de Pt e Pd na mineralização aurífera de Cavalcante alcançam dezenas de ppm,entretanto, até agora, os platinóides nunca foram explotados como subproduto do ouro.O minério aurífero de Cavalcante está relacionado com os seguintes mineraismetálicos, em ordem de abundância: guanajuatita (Bi2Se3), ouro nativo, kalungaíta(PdAsSe), estibiopaladinita (Pd5Sb2), uraninita (UO2), padmaíta (PdBiSe), sperrylita(PtAs2), bohdanowiczita (AgBiSe2) e claustalita (PbSe). A presença de calcopirita, pirita, magnetita e hematita é rara, embora existam alguns bolsões de magnetita nasproximidades dos corpos de minério. Em geral, o ouro ocorre em grãos isolados, mastambém se associa aos minerais metálicos. O intercrescimento simplectítico entrecalcopirita, estibiopaladinita e guanajuatita, calcopirita e estibiopaladinita e ouro ekalungaíta é uma textura característica do minério e pode ser usado para o entendimentoda gênese da mineralização.O minério da mina Buraco do Ouro, bem como as demais mineralizaçõesauríferas da região de Cavalcante, situa-se sempre próximo ao contato entre a SuíteAurumina e a Formação Ticunzal. No caso da mina, as condições de óxido-redução nosistema exerceram papel importante na gênese e localização do minério de Au-EGP.Com base nas variações da fO2, três estágios podem ser sugeridos para a formação dominério. O primeiro estágio ocorreu sob baixas condições de fO2, o que permitiu aprecipitação de sperrylita, estibiopaladinita e ouro. No segundo estágio, provavelmenteo mais importante para a concentração de EGP, o aumento da fO2 ocasionou aprecipitação dos selenetos guanajuatita, kalungaíta, padmaíta e claustalita. No fim desseestágio, houve formação de magnetita e uraninita. No terceiro estágio, houve umaredução na fO2 após a deposição dos óxidos e ocorreu o reequilíbrio das assembléiasformadas no segundo estágio, a formação de fases ricas em Se e a geração deintercrescimento entre calcopirita, estibiopaladinita e guanajuatita.Pode ser presumido que a fonte dos EGP são xistos e paragnaisses daFormação Ticunzal. É provável que porções da bacia, onde se deu a deposição dessaformação, propiciaram o ambiente necessário para a geração de folhelhos negros, quesão rochas argilosas e carbonosas, que podem ser originalmente enriquecidas em EGP.Possivelmente a mobilização desses elementos, para a gênese do minério, ocorreu viafluidos aquosos e pouco salinos.A mina Buraco do Ouro possui algumas características importantes dedepósitos de ouro do tipo intrusion-related como o ambiente compressional, aassociação regional com depósitos de Sn, o baixo conteúdo de sulfetos no minério e aíntima associação do minério com o plúton granítico. Entretanto, existem algumasdiferenças: (1) têm relação com magmatismo peraluminoso do tipo-S; (2), possuemassociação metálica com Au-Pt-Pd-Se±Pb±Ag; e (3) não apresentam forte zonação.Mesmo com estas diferenças, o modelo genético proposto para o depósito Buraco doOuro é do tipo relacionado à intrusão. Contudo, trata-se de um depósito do tipointrusion-related com forte influência das rochas encaixantes na geração do minérioA associação Au-EGP hospedada em zona de cisalhamento desenvolvida sobrebiotita-muscovita granito, sem assinatura geoquímica de rochas ultramáficas, constituiuma associação não convencional de platinóides.
Tipo PDF
Palabras clave mina Buraco do Ouro
Tipo de recurso Electronic Thesis or Dissertation
Tese ou Dissertacao Eletronica
Tipo de Interactividad Expositivo
Nivel de Interactividad muy bajo
Audiencia Estudiante
Profesor
Autor
Estructura Atomic
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Fecha de contribución 06-sep-2008
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