| Descripción |
O objetivo desta dissertação é explicitar a relação entre verdade e poder, isto é, entre perspectivismo e agonismo, no pensamento de Nietzsche. Primeiramente, reconstruímos, em termos analíticos, o conceito nietzschiano de niilismo, que, em nível teórico, significa anti-fundacionismo, anti-realismo e anti-correspondencialismo. O niilismo nietzschiano é, assim, o diagnóstico de nosso tempo como o momento da crise das noções de fundamento, verdade e mundo. Entretanto, Nietzsche não é apenas um niilista, pois propõe uma filosofia experimental, para a qual, a verdade não é concebida como descoberta, mas como criação, experimento, perspectiva, e, enquanto tal, como indissociável do poder. Em seguida, elaboramos um balanço do debate acerca do perspectivismo e chegamos a duas questões centrais: o problema da referência ao devir e o problema da auto-referência do perspectivismo. Em função de suas respostas a essas questões, entendemos que a leitura pragmática do perspectivismo é aquela que oferece mais vantagens, pois consiste no aprofundamento de uma postura anti-realista e na destranscendentalização da subjetividade. Ademais, o perspectivismo pragmático rejeita a idéia de correspondência, para propor um conceito perspectivista de verdade, que a entende como pluralidade de perspectivas condicionadas natural, histórica e lingüisticamente. Nesse contexto, a utilidade se torna o critério de verdade, porém, enquanto utilidade situada em relações de poder, utilidade agonística. Portanto, no terceiro movimento, apresentamos um perspectivismo agonístico que parte da genealogia do agón da palavra, isto é, da retórica tal como era praticada no tempo da democracia grega. Cremos que, assim, não só é possível reconstruir o perspectivismo nietzschiano em termos pragmáticos, mas contribuir, através da introdução da questão do poder, no debate sobre o pragmatismo. Em conclusão, ensaiamos uma resposta perspectivista agonística aos problemas apontados: reduzindo seu comprometimento ontológico ao mínimo, sustentando uma posição radicalmente anti-fundacionista, anti-realista e anti-correspondencialista, o perspectivismo agonístico entende que tanto o devir quanto o próprio perspectivismo são como ficções, interpretações, perspectivas, o que, de resto, não acarreta circularidade, mas uma confirmação do perspectivismo. |